8ª Reflexão
Na passada aula de dia 19 de abril, foi-nos proposto um desafio ao qual nunca tinha realizado. A dinâmica chama-se "abrigo subterrâneo", onde nos foram dados um conjunto de pessoas que apenas poderíamos levar para o abrigo seis desse mesmo grupo. Por muito que não fosse real, dei por mim a fazer uma decisão e uma escolha entre pessoas que possuíam uma vida. Certamente que haviam indivíduos que sabíamos que não escolheríamos pelo seu historial como o assassino, mas não deixava de ser uma vida. Obviamente que tivemos que fazer as nossas escolhas consoante os nossos valores, e foi exigido, indiretamente, um pensamento racional e não apenas emocional. É um bom exercício de debate, que na aula funcionou muito bem, pois no final de individualmente votarmos nas pessoas que levaríamos para o abrigo, partilhámos as nossas respostas, que levou a uma conversa sobre as escolhas que tínhamos feito. É certo que nem todos pensámos da mesma forma, ou que não tivemos atenção aos mesmos pormenores, mas isto é que é interessante, pois este é um exercício onde não existe o certo e o errado, e as respostas vão ser distintas das nossas, ou até mesmo iguais, mas com uma linha de raciocínio diferente.
Um dos pensamentos que tive durante a escolha foi mesmo a atual situação pandémica que o mundo está a passar, e mesmo que para nós este exercício tenha sido uma simulação, para os profissionais de saúde esta foi a sua realidade durante meses. Que camas disponibilizar, que vidas escolher, quem merece mais a disponibilização de um ventilador. E ao pensarmos desta forma, retorno a minha ideia inicial quando afirmo que é escolher vidas, e isto é assustador.
Assim, através de uma simples simulação, pude pensar em situações que se calhar de outra forma não pensaria, o que me fez chegar a casa e, à hora de jantar, desafiar a minha família a realizar esta dinâmica, o que foi um momento muito agradável, pois permitiu-nos refletir em conjunto e gerar uma discussão bastante interessante, pelo que proponho que desafiem a vossa família a fazer o mesmo.
Exercício:
- Violinista de 40 anos, narcótico viciado;
- Advogado de 25 anos, portador da doença HIV (apenas iria se a mulher fosse);
- Mulher do advogado, 24 anos, manicómio (apenas ia se o marido fosse);
- Sacerdote de 75 anos;
- Prostituta de 34 anos;
- Ateu de 20 anos, assassino;
- Universitária com voto de castidade;
- Físico de 28 anos, só entra se puder levar uma arma,
- Declamador fanático de 21 anos;
- Menina de 12 anos com um QI muito baixo;
- Homosexual de 47 anos;
- Deficiente de 32 anos epiléptico.
